PROTAGONISTAS CAPAZES DE DISCERNIR
PROTAGONISTAS CAPAZES DE DISCERNIR
02.07.2026
Os protagonistas que o mundo precisa não se podem confundir com celebridades e para isso as instituições de ensino e educação, embora abertas à mudança, não podem ser neutras, um pântano ou areia movediça". "O verdadeiro protagonismo da escola e universidade apenas se realiza na medida em que forma e capacita novos protagonistas — os seus graduados, os jovens que irão verdadeiramente gerir o futuro", afirmou Isabel Capeloa Gil aos participantes na Conferência Geral da Rede de Escolas RSCM que hoje termina em Lisboa.
Numa comunicação intitulada Protagonistas do Amanhã - Alunos para os Desafios do Século XXI, a reitora da Universidade Católica Portuguesa afirmou que é "urgente, criar as condições para que cada estudante descubra a sua voz, desenvolva o pensamento crítico e aprenda a colaborar com quem pensa de forma diferente." Citando o Papa Francisco na Exortação Apostólica Querida Amazónia, referiu que "a educação deve cultivar sem desenraizar, promover o crescimento sem enfraquecer a identidade, apoiar sem ser invasivo".
Importa afirmar que "a pessoa não é um perfil de competências nem se reduz a um algoritmo: tem uma história e uma vocação", acrescentando que é preciso "olhar de forma integral para o estudante que está à nossa frente". "No tempo das tecnologias digitais o mandato de uma educação eticamente responsável exige a abolição das monoculturas disciplinares e, sobretudo, a capacitação dos jovens para um novo discernimento", até porque no seu entender é na ausência de distinção "entre facto e ficção, entre verdade e falsidade" que se gere o risco das democracias.
A importância do domínio correto da linguagem, foi outro dos aspetos referidos por Isabel Capeloa Gil que lembrou que "a nossa responsabilidade para com a linguagem não é meramente instrumental, mas antropológica e cultural. A literal liberdade de expressão é fundamental a um caminho de esperança". "Ler é deixar-se penetrar pela razão do outro. A polarização é, precisamente, o resultado da erosão da literacia e da liberdade que toda a linguagem encerra".
Alertando para o facto de o futuro não estar algures no horizonte, mas " sentado à nossa frente, todos os dias, à espera de ser levado a sério", salientou que "o papel da escola católica, face aos desafios do presente, é o de lutar convicta e amplamente, confiante no valor dos seus valores, contra 'a estagnação de tudo o que vive na mudança a que está condenado' (Fernando Pessoa) — transformando essa mudança não numa ameaça, mas no instrumento da sua missão mais profunda: contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa e para o bem comum", concluiu.